Para o alto e avante! Como superar o medo de avião

Eu não nasci com medo de avião. E nem você. Então podemos viver sem ele. A primeira vez que eu saí do solo voando pelos ares foi de helicóptero. Foi algo tão novo que não achei nem bom nem ruim. Depois, voei em uns aviões turbo-hélices a trabalho, mas as distâncias eram sempre curtas, também não foi suficiente para desabrochar meu medo latente. Viajei para a Argentina com amigos, tudo bem na ida e na volta – até então eu só não gostava de olhar na janelinha. Até que, um belo dia, eu inventei a moda de ir para a Europa sozinha. Foi aí que a porca torceu o rabo e a barata voou. 🙁

cordilheira
Agora já consigo olhar da janelinha. Vista da Cordilheira dos Andes

Entrei no avião com destino a Paris já amedrontada e estranhando aquela forte sensação que fazia meu coração bater mais rápido. O voo foi à noite e eu fiquei 12 horas dentro do avião com o olho arregalado, sem dormir. Fui chorando e rezando até Madri, na Espanha, onde cheguei exausta e quase beijei o chão que nem o Papa. Mas ainda tinha outro voo seguido para Paris. Eu já estava tão cansada que só pensava: “se cair vai ser até bom que vou descansar e acabar logo com isso”. Mas não caiu. E cheguei em Paris! Eu só não queria pensar que logo, logo eu teria que voltar para o Brasil.

Na vida o tempo passa, e passa muito rápido, e quanto melhor for o momento que você estiver vivendo vai passar ainda mais rápido! Na Europa, foi assim e chegou a hora de voltar. 🙁 Durante a viagem ouvi um cara dizer que o serviço de bordo do avião era open bar e resolvi fazer o teste. Entrei no avião, sentei. “Milk or tea?”, questionou a aeromoça para o café da manhã. “Champagne, please“, respondi. Deu certo! Bebi e pedi um vinho, depois outro e depois outro. Quando a aeromoça me proibiu de pegar mais, passei a ir lá atrás pegar com outra pessoa da tripulação. Vou te falar uma coisa: deu certo, voei linda e cheguei feliz demais em Belo Horizonte. Nem vi o tempo passar e até olhei da janelinha. O álcool inibe os medos, mas essa tática não é recomendável lá em cima, porque o álcool pode fazer mais mal que o normal.

A questão é que o ato de beber durante o voo não resolve o problema. O medo de avião é uma coisa que começa a incomodar na hora que você começa a planejar a viagem. Só de pensar que no dia tal teremos que embarcar já começa a dar pânico, acordar de noite com pesadelos e coisas do tipo. Depois do dia em que chorei em um voo de duração mísera de uma hora até a Bahia eu decidi que tinha que fazer alguma coisa para vencer esse terror. E depois que meu irmão me convidou para a formatura dele no Japão, aí eu tive certeza que não tinha outra saída. A bebida, minha querida amiga paliativa, não ia funcionar, porque eu não teria como beber durante 30 horas. Ainda havia o risco de sofrer de ressaca em pleno voo. Tinha que ter outro jeito.

Durante 3 meses, eu pensei em desistir várias vezes de ir pra Tóquio e ficava pensando nas infinitas horas de voo e nas inúmeras possibilidades de queda. Comecei a pesquisar na internet sobre segurança nos voos e ler tudo que poderia me fazer sentir melhor. Nada de ficar lendo tragédias. Minha irmã me emprestou esse livro abaixo e gostei muito! Ele custa cerca de R$ 19,00. A parte que ele explica como funciona o avião também me deixou mais tranquila. É que eu não entendia como aquele trambolhão saía por aí voando que nem um passarinho. Ele também ensina exercícios de relaxamento. Então, meu segundo passo foi ler esse livro. O primeiro foi precisar querer perder o medo. 😀

Esse livro ajuda muito e custa entre 14 e 19 reais comprando pela internet

Meu terceiro passo para vencer a fobia foi ajuda profissional. Procurei um médico para me preparar para uma eventual crise de pânico dentro do avião. Ele me deu uma receita de um famoso tranquilizante numa dosagem bem fraquinha. Comprei uma caixa e reservei (não faço uso dessas substâncias no dia a dia). O quarto passo foi colocar nas mãos de Deus. Tenha fé e reza! Gosto muito daquela frase que rola nas redes sociais que diz: “Vai e se tiver medo vai com medo mesmo”. E eu fui.

Embarquei chorando no Aeroporto Internacional de Confins, mas parei no Rio de Janeiro. Fui lembrando da segurança, das técnicas e sabendo que eu tinha remédio se precisasse. Encontrei com parte da família que nos esperava no Galeão e de lá seguimos para o outro lado do mundo com um pit stop em Dubai. Não derramei mais nenhuma lágrima. Eu digo que esse foi o quinto passo para perder o medo: tratamento de choque. Mas acabou! Nem precisei usar o tranquilizante! E foi uma viagem maravilhosa! <3 Hoje voo para qualquer lugar numa boa. Para mim, agora, viajar de avião é tipo descer uma tirolesa. Se joga e espera voltar pro chão. 😀

OBS: Ninguém cura uma fobia da noite para o dia. No meu caso foi todo um processo e se você ainda não venceu esse problema tenho duas pequenas dicas que fazem a diferença e tornam o voo menos doloroso: viajar durante o dia (ver aquela escuridão lá fora não é bom) e evitar viajar sozinho (uma companhia sempre ajuda a distrair).

BOA SORTE E BOA VIAGEM!

PS: te encontro pelo mundo.

Minha saga sozinha pela Europa você lê aqui.