Detalhes que desconhecemos sobre a tragédia de Hiroshima

Não acho coerente fazer um post sobre o Hiroshima com humor. O que aconteceu lá não tem graça nenhuma, muito pelo contrário. Mas vou tentar escrever de forma mais leve e levando em consideração pequenas curiosidades porque os fatos históricos por si só já são muito pesados e já estão contados nos livros de história.

A cidade ficou mundialmente famosa depois que a “Little Boy” foi lançada pelo bombardeiro Enola Gay e matou cerca de 140 mil pessoas (entre mortes instantâneas, por ferimentos e por radiação). É muito triste imaginar que milhares de vítimas eram crianças e que poucos minutos antes da bomba ser lançada foi dado toque de recolher. As pessoas se esconderam nos abrigos! Mas o alerta foi suspenso porque não se sabia que um avião pequeno americano poderia causar tamanho estrago. A população voltou à sua rotina normal de segunda-feira e em segundos milhares de pessoas simplesmente desintegraram.

Réplica da Little Boy

A maquete abaixo ilustra a destruição na parte central da cidade.

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Maquetes expostas no Museu Memorial da Paz de Hiroshima ilustram a destruição

Museu Memorial da Paz de Hiroshima guarda todos os detalhes dessa tragédia e é um dos pontos turísticos fortes da cidade. A ideia é manter a desgraça causada pela bomba atômica na memória das pessoas para promover a paz mundial. Não tem como não se emocionar lá dentro. CHOREI RIOS. O acervo conta com fotos, ilustrações, documentos e maquetes além de objetos das vítimas. Aliás, lá os mortos não são apenas números, eles têm nome, história e família. Veja abaixo alguns dos objetos recolhidos dos escombros. O relógio abaixo mostra a hora da explosão da bomba, 8h15 da manhã.

Relógio de vítima da bomba mostra horário da explosão: 8h15
Triciclo de criança
Restos das roupinhas das crianças

Após a explosão da bomba, as vítimas que não morreram instantaneamente vagaram como zumbis pela cidade destruída com seus corpos praticamente derretendo. Havia fogo em todos os lugares. Essa ilustração em exibição no Museu foi feita por um sobrevivente e mostra como o rio que corta a cidade serviu de refúgio para a população.

Desenho feito por sobrevivente: pessoas com os corpos queimados e pulando no rio.

O desenho abaixo relata a história de uma mãe que localizou o filho após a explosão mas não conseguiu tirá-lo dos escombros e viu o incêndio consumir toda a casa.

Ilustração feita por sobrevivente

Depois que a bomba explodiu uma chuva negra caiu sobre a cidade. Quem teve contato com essa água provavelmente não sobreviveu. Ela estava absurdamente contaminada pela radiação.

Chuva negra

Por fim acho que vale a pena mostrar essa foto do dia seguinte à tragédia. É a única foto deste dia. O fotógrafo ficou tão chocado com o que viu que simplesmente não conseguiu mais fazer registros. Eu pesquisei mas não consegui encontrar o nome dele. Está em exibição no museu.

Foto do dia seguinte

Sabe o que é muito triste também? Saber que a bomba foi jogada sobre a cidade no dia 6 de agosto de 1945 e que pouco mais de 1 mês depois, em 7 de setembro, Hiroshima foi atingida por um fenômeno climático. O Tufão Makurazaki passou destruindo pontes e estradas e levando mais 3 milhares de vidas. É muita desgraça para um povo só.

Por isso que eu digo: os japoneses são sobreviventes. Entre tantas tragédias naturais e causadas pelo homem eles conseguem se reerguer com um estilo de vida em sociedade fantástico e de causar inveja nos ocidentais. Uma lição de vida para o mundo.

Para servir de inspiração, segue uma foto dos origamis feitos por Sadako Sasaki. Ela sobreviveu ao atentado mas desenvolveu leucemia 10 anos após o ataque à Hiroshima. No hospital, ela fez os origamis demonstrando vontade de viver.

Origamis feitos por Sadako Sasaki que sobreviveu ao ataque