A dificil vida do usuário de ônibus em BH

Todo mundo sabe que andar de ônibus é bacana, sustentável e polui menos o meio ambiente. Além disso, se eu deixo meu carro em casa isso significa menos um automóvel na rua, o que é ótimo também para a mobilidade urbana. Mas quando o serviço é mal prestado o usuário sofre. As pessoas que não têm do que reclamar provavelmente usam coletivos esporadicamente, fora de horários de pico ou moram em lugares onde o sistema de transporte público funciona. Essas são pessoas altamente invejáveis mas não é o caso de milhares de outras pessoas espalhadas por este Brasil-varonil-40-graus.

Andei de ônibus a maior parte da minha vida, mas há alguns anos tenho carro. Mesmo assim uso ônibus com regularidade. Recentemente mandei meu veículo para o conserto e estou há quase 1 mês andando exclusivamente de ônibus. Meu balanço é: não está sendo fácil. Seguem abaixo 7 motivos que me levaram a escrever esse desabafo:

(Que fique bem claro para os chatos de plantão que isso não é uma apologia ao não uso de coletivos, muito pelo contrário isso é uma reclamação contra o serviço mal prestado. Se tivéssemos um serviço de melhor qualidade mais pessoas deixariam seus carros em casa)

1-Atrasos
Os ônibus não respeitam horários. Nunca passam na hora certa. Aliás, especificamente o ônibus que você estiver esperando vai demorar mais que todos, você vai mofar no ponto e chegar atrasado onde quer que seja. Fiquei 45 minutos no ponto essa semana esperando um ônibus que teoricamente passa de 20 em 20 minutos (oi?) e tive que pegar um táxi para honrar meu compromisso.

2-Não para no ponto
Quando seu ônibus resolve dar as caras ele não pára porque está tão cheio que simplesmente não te cabe lá dentro. E você lá, esperando há horas o miserável. Vejo essa cena direto e morro de compaixão pelas pessoas que, ávidas para chegar em casa depois de um dia de trabalho, ficam abandonadas no ponto. 🙁
3-Ele passa e você não está no ponto
Fico me perguntando quantas pessoas ganhariam uma corrida de 100 metros rasos se praticassem esse esporte com o mesmo estímulo com que correm atrás de um ônibus. Eu mesma viro atleta e corro feito louca rua a fora, na maior humilhação e muitas vezes ainda fico para trás. No fim do dia, não importa a hora que eu chegue ao ponto, eu perco o ônibus. Tem duas semanas que eu vejo ele passar na minha frente mas estou do outro lado da avenida sem conseguir atravessar. E então demora horas para passar outro.  🙁
4-Lotação máxima
Quando ele resolve parar no ponto, você tem que iniciar uma luta corporal para conseguir ocupar um lugarzinho e conseguir um apoio para segurar. Se você tiver a sorte de sentar pode crer que o sol baterá do seu lado. Tem uma lei de Murphy toda especial para sol em assentos de ônibus.
Situação enfrentada diariamente pelo trabalhador nos horários de pico
5-Desconfortável
Não preciso nem falar do desconforto de ficar em pé. Até sentado é desconfortável. Sempre tem alguém para sentar ao nosso lado e ‘derreter’ na cadeira e a gente tenta se afastar se espremendo na janela em tempo de ter um problema de coluna. Quando estivermos sentados no corredor será a bolsa da tia que está em pé que ficará esbarrando na nossa cara o tempo todo. Além disso, é de quem está sentado a função de carregar as pilhas de livros dos estudantes, suas mochilas pesadas e todas as bolsas de compras no ônibus.
6-Dificuldade com bolsas
Carregar bolsas em ônibus é uma situação complexa. Você sempre está incomodando alguém e alguém sempre está te importunando. E quanto as duas mãos estão ocupadas? Aí começa o tal de colocar bolsa no chão, motorista frear forte, bolsa entornar e laranja rolar lá pro fundo do ônibus, terrível… Um dia comprei um fast-food para levar para casa e peguei o ônibus. Que burrice… dá zero para mim. Logicamente fui em pé, carregando um pacote de hambúrguer e batata frita em uma mão, refrigerante entornando na outra, bolsa tiracolo no ombro e com o braço eu tentei me equilibrar… um dia para ser esquecido.
7-Motorista estressado
Por falar em frenagem brusca, acredito que Galileu e Newton andavam de ônibus. Não tem lugar melhor para identificar a atuação da Lei da inércia. Não segura não para ver se você pára em pé dentro de um ônibus. Alguns motoristas fazem curvas tão violentas que é uma luta para se segurar. A sensação mais semelhante que tive foi de quando eu era criança no interior de Minas e andei em uma gaiola de caminhão de boi.
Ônibus pára no meio da rua para o passageiro embarcar
Tá vendo como não é fácil a vida do trabalhador brasileiro? Só vivendo para entender. Transporte público precisa de muito investimento ainda, viu senhores governantes? >:(
Conclusão: Preciso adquirir uma bicicleta.