Morando em Miami – Da série: Vou embora do Brasil

Oi gente querida e amada! Hoje a série Vou embora do Brasil vai contar a história da Ana Paula Franco que é jornalista e decidiu largar TUDO para viver nos ‘states’! Abaixo segue o relato dela de como decidiu fazer essa mudança radical e suas impressões sobre a terra do Tio Sam.

Por Ana Paula Franco

Morar em Miami:

“Nossa que bacana, você mora em Miami?”

“Nossa, mas o que mais você quer da vida?”

“Ei tudo bem?” -“Tudo e você?” -“Não estou tão bem quanto quem mora em Miami”

Ana, você só fica na praia?”

E por aí vai.

Ana Paula em Miami
Ana Paula Franco, em Miami

Gente como é legal morar fora do Brasil, né? Ou como deve ser legal morar longe do trânsito, da Dilma, do PT, da corrupção, dos ladrões, dos assaltantes, da Cidade Administrativa de Minas Gerais (sim sou traumatizada), do jeitinho brasileiro, dos aeroportos em reforma, dos arrastões do Rio e eu poderia passar o texto inteiro enumerando o tanto que é bom (as pessoas na maioria acham) viver longe disso tudo, né?! Sim, é bom viver longe de várias coisas bem típicas do Brasil, mas que a cada dia você encontra um pouquinho (ou muito) na terra do Tio Sam também.

Para ser sincera, morar em Miami é um pouco morar no Brasil. Aqui tem praia, faz calor o ano todo, ninguém (ou quase) fala inglês, as pessoas são mal educadas no trânsito e se bobear, levam seu Iphone se você esquecer em cima da mesa. Mas nada que se compare à violência blá blá blá. Pelas ruas, o que mais se ouve é o português. Talvez se eu me aventurasse a morar nas gélidas cidades do norte do país eu teria outro tipo de experiência, mas isso é conversa para outro post.

Miami
Ê vidãaaaaaao! hehehe

Morar fora é lindo para quem vem passear e vê você morando a metros da praia: “Nossa como você conseguiu o visto?” e mais uma série de perguntas indiscretas que ninguém sabe fazer melhor que o brasileiro. Aliás, que povo curioso, né minha gente?!

Mas voltando às vacas magras (Going back to the cold cow), eu vim para Miami porque tenho uma prima muito chegada que mora aqui. Resolvi passar férias e estudar um pouco inglês, língua que passei a vida estudando no Brasil e que ainda me pega desprevenida. Cansada do meu trabalho no Brasil, da rotina que havia seis anos era a mesma, chutei o pau da barraca e vim para essa cidade colorida (e muito cafona quando quer ser).

Miami
Miami

Gente, como eu nunca tive planos na vida de morar fora, descobri que eu era ignorante. Não sabia nada. Todo o inglês do cursinho vai por água abaixo. Sei que falei que aqui ninguém fala inglês, mas mais cedo ou mais tarde você vai precisar e eu estava estudando. Fui morar num hostel aos 30 anos de idade, fiquei três meses estudando, indo à praia e tomando cerveja segunda-feira. Que vida boa!

A gente não sabe NADA, absolutamente NADA de visto. De como faz para trabalhar aqui. Ah tá, se casar com o americano ganha greencard. Só isso que a gente ouve desde pequena. Sem autorização de trabalho, sem visto de trabalho, você não faz nada por aqui. Meu visto de turista venceu, voltei para o Brasil, mas a inquietação de querer viver a experiência fora não saiu de mim. Voltei três meses depois. Por um acaso da vida, consegui um trabalho num jornal brasileiro para o qual escrevia sem receber. Como consegui? Mandei uma matéria minha com foto e tudo, prontinha para publicação. Eles gostaram e me chamaram, me ofereceram o visto de trabalho e cá estou eu, dois anos depois. Trabalhando neste jornal e feliz da vida.

Disney
Na Disney

Morar fora é fácil? Não é. É difícil, mas você aprende que tem gente muito boa, muito solidária, muito bacana e esse lado se aflora quando todos estão no mesmo barco. Gente ruim? Claro que tem mas vim com mais de 30 anos e isso a vida já havia me ensinado. Homens? Iguais em qualquer lugar do planeta. Saudade? Saudade a gente sente, sente das mínimas coisas: da cerveja gelada Original no bar, de marcar um cinema com o amigo, dos churrascos de família, daquele aniversário que você ia todo ano e não vai mais, da carne cozida com pão, da família, dos amigos, mas para isso tem facebook, facetime e zap zap para amenizar.

Vontade de voltar? Não tenho. Acho que vim por algum propósito e estou tentando descobrir qual é. Mas se eu tiver que voltar, eu volto. Eu amo o Brasil. Amo também receber pessoas por aqui, não na minha casa porque os hotéis existem para todos serem felizes. Então é isso. Conhecidos e desconhecidos quando vierem para a Flórida, me deem um toque. Adoro indicar, dar dicas, encontrar, ajudar quem não tem muita ideia do que vai encontrar.

Um beijo, Ana Paula Franco

anapaula
Ana Paula <3 Brasil

Sucesso a Ana, né! Quem for visitá-la, por favor, deixe aqui seu relato! 🙂

Inté!