Segredos de Hiroshima, há 70 anos

6 de agosto de 1945. Era uma manhã tranquila em Hiroshima.
Em um instante, tudo mudou

Há exatamente 70 anos, a “Little Boy” foi lançada pelo bombardeiro norte-americano Enola Gay sobre a cidade japonesa de Hiroshima. Cerca de 140 mil pessoas morreram, entre mortes instantâneas, por ferimentos ou por radiação. A ruína da Cúpula Genbaku, onde a bomba foi lançada, está de pé até hoje. Assim como a população de Hiroshima que, mesmo diante de sua maior tragédia, conseguiu forças para se reconstruir.

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Cúpula Genbaku, Hiroshima. Foto: Renata Abritta

É muito triste imaginar que milhares de vítimas eram crianças e que, poucos minutos antes da bomba ser lançada, um sonoro alerta ecoou pelas ruas da cidade. Os moradores tiveram tempo para buscar refúgio nos abrigos subterrâneos! Mas o alerta foi suspenso, porque não se tinha conhecimento que um avião tão pequeno americano pudesse causar tamanho estrago. A população voltou à sua rotina normal de segunda-feira e, em segundos, milhares de pessoas simplesmente desintegraram.

Réplica da Little Boy

Eu estive em Hiroshima e conheci um pouco mais sobre os fatos. A cidade encanta, mas guarda, em sua atmosfera, um passado sofrido. Em homenagem a essas sete décadas, resolvi republicar esse post. A maquete abaixo ilustra a destruição na parte central da cidade.

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Maquetes expostas no Museu Memorial da Paz de Hiroshima ilustram a destruição

Museu Memorial da Paz de Hiroshima guarda todos os detalhes dessa tragédia e é um dos pontos turísticos da cidade. A ideia é manter a desgraça causada pela bomba atômica na memória das pessoas para promover a paz mundial. Não tem como não se emocionar lá dentro. O acervo conta com fotos, ilustrações, documentos e maquetes além de objetos das vítimas. Aliás, lá os mortos não são apenas números, eles têm nome, história e família. Veja abaixo alguns dos objetos recolhidos dos escombros. O relógio abaixo mostra a hora da explosão da bomba: 8h15 da manhã.

Relógio de vítima da bomba mostra horário da explosão: 8h15
Triciclo de criança
Restos das roupinhas das crianças

Após a explosão da bomba, as vítimas que não morreram instantaneamente vagaram como zumbis pela cidade destruída com seus corpos praticamente derretendo. Havia fogo em todos os lugares. Essa ilustração em exibição no Museu foi feita por um sobrevivente e mostra como o rio que corta a cidade serviu de refúgio para a população.

Desenho feito por sobrevivente: pessoas com os corpos queimados pulando no rio.

O desenho abaixo relata a história de uma mãe que localizou o filho após a explosão, mas não conseguiu tirá-lo dos escombros e viu o incêndio consumir toda a casa.

Ilustração feita por sobrevivente

Depois que a bomba explodiu uma chuva negra caiu sobre a cidade. Quem teve contato com essa água provavelmente não sobreviveu. Ela estava absurdamente contaminada pela radiação.

Chuva negra

Por fim acho que vale a pena mostrar essa foto do dia seguinte à tragédia. É a única foto deste dia. O fotógrafo Yoshito Matsushige ficou tão chocado com o que viu que simplesmente não conseguiu mais fazer registros.

O dia seguinte. Foto: Yoshito Matsushige

Sabe o que é muito triste também? Saber que a bomba foi jogada sobre a cidade no dia 6 de agosto de 1945 e que, pouco mais de 1 mês depois, em 7 de setembro, Hiroshima foi atingida por um fenômeno climático. O Tufão Makurazaki passou destruindo pontes e estradas e levando mais 3 milhares de vidas. Por isso que eu digo: os japoneses são sobreviventes. Uma lição de vida para o mundo.

Para servir de inspiração, segue uma foto dos origamis feitos por Sadako Sasaki. Ela sobreviveu ao atentado, mas desenvolveu leucemia 10 anos após o ataque à Hiroshima. No hospital, ela fez os origamis demonstrando vontade de viver.

Origamis feitos por Sadako Sasaki que sobreviveu ao ataque mas faleceu anos depois de leucemia

Atualmente, o Parque Memorial da Paz de Hiroshima se encarrega de chamar atenção para o perigo das armas nucleares. O complexo reúne vários monumentos como estátua das crianças vítimas da bomba; o Monte Memorial da Bomba Atômica, com as cinzas de 70 mil vítimas não identificadas; a Chama da Paz, que permanecerá acesa até o fim da ameaça nuclear no planeta; o Sino da Paz, badalados pelos turistas em honra da paz mundial; o Museu Memorial da Paz de Hiroshima; as Portas da Paz, cinco portas de cinco metros de altura com a palavra “paz” escritas em vários idiomas; etc.

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Chama da Paz
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Cabrita tocando o Sino da Paz

Deixo aqui minha homenagem às vítimas da tragédia.