Dólar dispara e brasileiros adiam planos de viagem para os Estados Unidos

Com moeda americana acima de R$4 para compra, viajantes estão mudando o roteiro

Autora: Ana Paula Franco / Com AcheiUSA

Visto tirado, passagens nas mãos e casa alugada para uma turma de 11 pessoas em Orlando (FL). Estava tudo pronto para o Réveillon da família e amigos da paulista Suelamita Oliveira, que viria para Orlando passar a virada do ano na terra do Mickey. “Iríamos em 11 pessoas do dia 28/12 ao dia 10/01. Nosso voo era direto para Orlando. Meus amigos iriam com filhos e o intuito era visitar os parques e, eu e meu marido, viajaríamos para outras cidades da Flórida. Alugamos casa e tudo, mas o valor que pagaríamos em dólar ficaria impossível”, lamenta Sula. Ela diz que o grupo já fez várias viagens, mas essa seria a primeira para os Estados Unidos.

Os números estão aí para comprovar que os brasileiros estão revendo os planos de viagem por causa do dólar. Apesar de ser mês de férias escolares, julho registrou queda de 30,39% nos gastos de brasileiros em viagem ao Exterior em comparação ao mesmo mês do ano passado, informou o Banco Central (BC). As despesas de brasileiros no Exterior chegaram a $1,677 bilhão, em julho, em comparação ao mesmo período do ano passado, quando atingiram $2,408 bilhões. De janeiro a julho, essas despesas somaram $11,617 bilhões, contra $14,851 bilhões em igual período de 2014.

As despesas de estrangeiros em viagem no Brasil também caíram: chegaram a $468 milhões, no mês passado, contra $785 milhões, em julho de 2014. De janeiro a julho, as despesas de pessoas que viajaram ao Brasil ficaram em US$ 3,412 bilhões, ante $4,369 bilhões no mesmo período de 2014.

A realização de um sonho de infância da carioca Jackieline Dutra vai ter que esperar. Ela programou em todos os detalhes uma viagem para levar o filho para conhecer a Disney, mas teve que desistir por hora. “Orlando era meu sonho de infância, já que meus pais não tinham condições. Queria muito levar meu filho para a Disney para comemorar em janeiro de 2016 seus 15 anos. O dólar subiu demais e foi um balde de água fria. Estou muito triste, decepcionada e frustrada”, afirma Jackieline.

Tânia Silveira de São Paulo também teve que adiar a volta aos Estados Unidos por conta do dólar. “Nós viajamos todo meio de ano para os EUA, desde 2008. Este ano fomos para a Flórida em janeiro e voltaríamos em julho para a costa oeste, mas desistimos. Difícil gastar tanto dinheiro que é suado para ganhar, e como a situação ainda vai piorar, infelizmente não temos data para retornar. Vamos ficar em casa com saudades porque amamos a América do Norte”, diz Tânia.

Mesmo caso da família de Flávia de Andrade, de Campinas-SP. “Eu, meu marido e meus dois filhos íamos a Disney no dia 19/10. Com tudo fechado, decidimos não ir mais devido a alta do dólar. Estamos desmarcando tudo, fazendo os cálculos dos gastos e tentando acalmar os corações ansiosos das crianças. Embora várias pessoas estejam aconselhando a ida e fazer lanches para comer nos parques, ficamos tão tensos e apreensivos que optamos por não ir. Em um lugar mágico como a Disney, tudo que não podemos é ficar e tensos”.

A paulistana Lívia Soumaili fez planos de passar o Natal e o Ano Novo nos EUA, mas decidiu mudas os planos e ir para Buenos Aires, na Argentina, onde irá gastar menos. “Desisti porque a situação no Brasil está muito instável. Quando comprei passagem em maio achei que ainda tinha chance da situação econômica melhorar, mas em agosto me dei conta que o dólar estaria cada vez mais alto e a crise aqui cada vez pior. Então, resolvemos ir para Buenos Aires e Punta del Este, onde iremos gastar em pesos e não em dólar”.

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Lívia Soumalli, o marido e a filha trocaram a Flórida por Buenos Aires. Foto: Arquivo Pessoal

Quem converte não se diverte

Outras pessoas que não quiseram cancelar a viagem para a Terra do Tio Sam estão revendo os gastos e deixando de comprar itens considerados “obrigatórios” na mala de viagem de um brasileiro. Além disso, levam lanches para os parques, compram café da manhã e almoço em supermercados e quase não comem fora. Um exemplo é a paulista Alexandra Adriani que comprou passagens baratas no início do ano, prometeu de trazer a sogra para Orlando e não quis desistir na última hora. Ela optou por repensar os gastos. “Compramos as passagens em maio a um preço incrível e conforme fomos fechando as coisas quase desistimos. Mas como levaremos minha sogra pela primeira vez e nossas duas filhas seria uma frustração muito grande. Então vamos economizar nas compras e nos divertir com o que já pagamos”, afirma Alexandra.

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Alexandra Adriani vem com a família para Orlando, mesmo com a alta do dólar. Foto: Arquivo Pessoal

A agente de viagens Márcia Tonidandel, gerente da Esferatur Turismo, situada em Belo Horizonte (MG), afirma que os brasileiros não estão desistindo de viajar para os EUA, a instabilidade cambial é que os está fazendo repensar o destino para as férias. Ela afirma que os brasileiros estão optando por cidades brasileiras, em especial os resorts do Nordeste. “As companhias aéreas estão derrubando os preços das passagens para os EUA, tornando-os mais atraentes, porém, o objetivo principal da viagem aos EUA–que são as compras–não está valendo a pena”.

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