Lagoa da Pampulha pode ser Patrimônio Cultural da Humanidade em 2016

Especialista de órgão consultor da Unesco já esteve na região para conferir pleito
Já na década de 1940, quando foi inaugurado, o Conjunto Moderno da Pampulha enchia os olhos de quem por ali passava. Formado por quatro edifícios – Casa do Baile, Igreja São Francisco de Assis, Museu de Arte da Pampulha e Iate Tênis Clube –, o conjunto, arquitetado por Oscar Niemeyer e ornamentado por Burle Marx, aspira, desde 1996, ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Lagoa pampulha
Lagoa da Pampulha – Foto: Renata Abritta

Mas foi só em 12 de dezembro do ano passado, no aniversário de Belo Horizonte, que um dossiê pleiteando o título foi, finalmente, entregue ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A partir de então, efetivamente, a Pampulha entrou para a disputa e, hoje, é o único candidato brasileiro que tenta a chancela de patrimônio mundial da Unesco.

No início deste mês, a cidade recebeu, inclusive, a visita da arquiteta venezuelana Maria Eugênia Bacci, consultora da organização, que veio colher impressões e conhecer os detalhes do nosso cartão-postal. “Acho que ela ficou bem impressionada com tudo o que a gente apresentou. O título significa a valorização tanto da arquitetura latino-americana como também da arquitetura nacional em relação ao movimento moderno. Significa Belo Horizonte passar a fazer parte do roteiro turístico mundial, o que amplia o potencial da capital mineira”, destaca Michele Arroyo, presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha).

Com os dados coletados na visita, a consultora vai elaborar um parecer, em conjunto com outros três consultores, que será encaminhado à Unesco em maio de 2016. Se o parecer for favorável, a votação ocorrerá em julho, na reunião da Comissão do Patrimônio Cultural Mundial, com a presença de 22 países, em Istambul, na Turquia. Caso o parecer seja de rejeição, existe a possibilidade de a candidatura ser retirada para que os pontos negativos identificados no Conjunto Moderno sejam melhorados e, então, lance-se nova candidatura.
Igrejinha da Pampulha
Igrejinha da Pampulha / Foto: Renata Abritta

O título vai contribuir para fomentar ainda mais o turismo na região. Minas já é o estado da federação com o maior número de bens reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Possuem o título as cidades de Ouro Preto e Diamantina, além do centro histórico de Congonhas.

Saiba mais sobre o Conjunto Moderno da Pampulha:
Iate Tênis Clube.
Foi construído em 1942, a pedido de Juscelino Kubitschek, para ser um clube público com o nome de Iate Golfe Clube. Décadas depois, foi vendido para a iniciativa privada e recebeu o nome atual. Sua arquitetura moderna sugere um iate sobre as águas da Lagoa da Pampulha. Em seu interior, o clube possui sofisticados salões de festas e de convenções, além de exibir um belo painel de Portinari. Foi tombado em 1994 pelo Iphan. Possui um prédio anexo, construído na década de 1970, que não corresponde ao projeto original de Oscar Niemeyer.
Casa do Baile.
O local foi inaugurado em 1943 para ser um espaço de dança popular. A ideia de Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx era integrar totalmente a obra ao ambiente da lagoa, por isso o projeto conta com tantas curvas. O edifício, que fica sobre uma ilha artificial, encerrou suas atividades em 1946, após o fechamento do antigo cassino. Atualmente, o local abriga o Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design. Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 18h.
Igreja São Francisco de Assis.
É um dos principais cartões-postais da cidade, cenário obrigatório para fotos de turistas e moradores. Projetada por Niemeyer e ornamentada por Cândido Portinari, Alfredo Ceschiatti e Paulo Werneck, a Igrejinha da Pampulha, como é mais conhecida, foi o último prédio inaugurado do Conjunto Moderno, em 1943. Entretanto, a primeira missa só foi celebrada em 1959, porque a decoração e a arquitetura não caíram no gosto das famílias conservadoras, o que atrapalhou a consagração da igreja por anos. O painel de Portinari com a ilustração de um cachorro, em vez de um lobo, junto a São Francisco de Assis também foi muito criticado. A igreja abriga várias obras de Portinari, entre elas a Via-Sacra em 14 painéis. Funcionamento: de terça a sábado, além de feriados, das 9h às 17h; domingo, das 11h às 14h.
Museu de Arte da Pampulha (MAP).
Foi criado para ser um cassino no início da década de 40. Sua concepção foi inspirada nos princípios do arquiteto Le Corbusier. Após inaugurado, agitou a vida noturna da Pampulha, que, naquela época, ainda tinha poucos moradores. Fechou suas portas em 1946, com a proibição do jogo no Brasil. Só dez anos mais tarde o espaço foi inaugurado como museu. O acervo conta com cerca de 1.500 obras, que são expostas ao público de forma periódica. Funcionamento: terça a domingo, das 9h às 18h30.
Casa Kubitschek.
Foi projetada com traços modernistas entre 1940 e 1943 para ser a residência do então prefeito Juscelino Kubitschek. Lá, ele morou até 1945, quando se mudou para o Rio de Janeiro. Só em 1956, a casa foi novamente ocupada, dessa vez, pela família de Jobert Guerra, ex-deputado e ex-prefeito de Diamantina. A esposa dele, Juracy Brasilience Guerra, morou no local até falecer, em 2004. Um ano mais tarde, os herdeiros transferiram a casa para a prefeitura, que a transformou em museu e espaço cultural. Os móveis adquiridos por JK e a decoração estão bem-preservados. Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 17h. Curiosidade: seus jardins são abertos ao público para piqueniques, com entrada gratuita, mediante agendamento prévio pelo telefone (31) 3277-1586.
(Fonte: Jornal O Tempo / Especial O melhor da região Pampulha / Renata Abritta / 31/10/2015)