Como estão as brasileiras que foram Miss Universo 50 anos depois

Duas misses brasileiras alcançaram o pódio da beleza suprema: a gaúcha Ieda Maria Vargas, em 1963, e a baiana Martha Vasconcellos, em 1968

Ao longo da história do concurso, duas misses brasileiras alcançaram o pódio da beleza suprema e dominaram o mundo: a gaúcha Ieda Maria Vargas, em 1963, e a baiana Martha Vasconcellos, em 1968. Antes delas, Martha Rocha, Terezinha Morango e Adalgisa Colombo conquistaram o segundo lugar na disputa.
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Ieda em 1963 – Foto: Arquivo Pessoal
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Biografia da Martha Vasconcellos

As mais belas do mundo

Antes

Tanto Martha quanto Ieda conquistaram a faixa universal despretensiosamente. Ieda tinha acabado de terminar um noivado e foi estimulada a participar para melhorar seu astral. Já Martha, como ela mesma diz, se inscreveu “de brincadeira, porque não queria ficar fora da festa”.
O resultado do concurso foi uma surpresa. “Arrumei uma confusão na minha família, que era conservadora. Meu pai era contra a exposição e não queria que eu desfilasse de maiô”, recorda ela. Após vestir a faixa de Miss Universo, Ieda afirma que um novo caminho se abriu. “Nunca havia pensado que, aos 18 anos, seria conhecida por boa parte do mundo, sendo que, alguns meses antes, eu pensava apenas em me casar”.

Durante

Durante seus reinados na década de 60, as misses Universo conheceram mais de 20 países e trabalharam bastante para cumprir todos os compromissos. Ao retornarem ao Brasil, após o fim de seus reinados, elas deixaram de lado o mundo da fama para terem uma vida ao lado da família. Ambas se casaram e tiveram filhos. Ieda chegou a trabalhar em diversas áreas. “Fui apresentadora de TV, representante de grifes internacionais, professora de etiqueta, trabalhei na Galeria Bolsa de Arte e à frente de uma fábrica de camisas femininas”, lembra.
Já Martha encerrou seu ciclo no ramo da moda e dedicou-se à filosofia e à psicologia. Após o ano 2000, ela retornou aos Estados Unidos. “Decidi ir para Boston e lá fiquei por 12 anos. Trabalhei com sobreviventes de violência doméstica, com recuperação de drogados, reinserção de crianças, entre outros. Optei por trabalhar com pessoas com problemas para eu poder ajudar e me sentir útil”.

Depois

Depois de ficar viúva, Martha, 67, retornou a Salvador (BA) e está aposentada. “Já trabalhei muito”, brinca. Ieda, 70, mudou-se para Gramado (RS), também depois de viúva. Quando tinha 55 anos, ela sofreu um grave Acidente Vascular Cerebral (AVC) que a deixou um ano e meio sem reconhecer as pessoas. Com o tempo, a doença foi sendo superada e, hoje, ela tem somente uma dificuldade para falar e leva uma vida tranquila na cidade turística. “Ando pelas ruas me sentindo cuidada e querida por todos. Não abro mão do meu cappuccino, no Café Clericot, junto a meus leais amigos Márcio Braga e Valéria”, conta. “Ela tem classe, simpatia e simplicidade. Uma digna Miss Universo”, completa o empresário Márcio Braga.
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Martha Vasconcellos, hoje. Foto: Roberto Macedo
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Ieda Maria Vargas. Foto: Rodrigo Fanti

Entrevista com Ieda Maria Vargas

1- Em algum momento durante o concurso de miss você imaginou que seria eleita a mulher mais bonita do mundo?
Ieda Maria Vargas: Na realidade, a ideia de participar do concurso Rainha das Piscinas partiu de um amigo da família quando soube que eu havia rompido meu noivado e estava muito triste. Saliento sempre que eu nunca quis participar de tal grandioso evento. Foi surpresa para mim quando passei para a próxima etapa. E no concurso final, Miss Universo, em Miami Beach, quando chamaram meu nome, Maria Vargas, representante do Brasil, olhei para os lados para visualizar a ganhadora, foi quando notei, quase todas as 49 candidatas olhavam para mim. Até hoje, lembro-me da cena.
2- Como se sentiu com a faixa de miss universo?
Ieda Maria Vargas: A Faixa de Miss Universo me fez sentir amada, querida e respeitada por todos os brasileiros e não-brasileiros também. Morei fora do Brasil por mais de um ano. Viajei por 21 países e todos, sem exceção, sempre me receberam com encanto, estima e simpatia.
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Ieda e Valéria. Foto: Arquivo Pessoal
3- De que forma o concurso transformou a sua vida?
Ieda Maria Vargas: Quando recebi minha ultima faixa um novo caminho surgiu para mim. Nunca havia pensado que aos 18 anos seria conhecida por boa parte do mundo, sendo que, em alguns meses antes, pensava apenas em me casar. Quando retornei ao Brasil logo depois desta conquista, fui recebida por milhares de brasileiros e também pelo então presidente da República João Goulart. Aprendi muito nos lugares por onde andei. Quando acabou meu reinado, embora tenha recebido uma proposta para ir trabalhar em Hollywood, preferi  recolher-me a uma vida privada com minha família e tive algumas pequenas participações em eventos nacionais e internacionais.
4- Qual o significado de ser miss?
Ieda Maria Vargas: Um reencontro comigo mesma. Um caminho completamente diferente do imaginado. Fui apresentadora de tevê, representante de grifes internacionais, professora de etiqueta, além da temporada de cinco anos de trabalho na Galeria Bolsa de Arte, da expertise à frente de uma fábrica de camisas femininas, entre tantas outras atividades que sempre me proporcionaram muito prazer.
5- Que dica você daria para as candidatas que sonham em ser miss?
Ieda Maria Vargas: Sempre falo que menos é mais. Quanto mais natural for, melhor. As vezes penso que o concurso de Miss modificou bastante seus critérios, infelizmente. As candidatas são lindas, não há necessidade de uma busca além da sua natureza. Este concurso engloba muitos requisitos além da própria beleza, a iniciar por uma rigorosa disciplina. É muito importante saber falar, andar, se comportar não somente durante os flashes, como também longe deles. Estas meninas representarão não somente a sua cidade, mas o seu Estado, o seu país. Ficarão para sempre na memória dos seus conterrâneos.
6- Como é sua vida atualmente?
Ieda Maria Vargas: Depois que enviuvei, decidi mudar-me para Gramado – RS, em busca de uma qualidade de vida diferenciada. Nesta cidade, ando pelas ruas me sentindo cuidada e querida por todos, incluindo os próprios turistas que são muitos. Não abro mão do meu Capuccino, no Café Clericot, junto ao meu leal amigo Marcio Braga e à Valéria. Frequento todos os Cines Gourmet realizados mensalmente no Hotel Casa da Montanha, onde ocorreu a festa dos 50 anos de reinado de Miss Universo. Momentos em que consegui reunir quase todas as minha amigas e filhos. Um beijo,
Um beijo a todos.
(Renata Abritta /Especial Miss Brasil – O Tempo / 11-07-2015)