Aedes Aegypti que brota do chão

Bueiros urbanos são locais perfeitos para a proliferação do Aedes Aegypti

A coisa está feia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já emitiu o alerta: o vírus Zika se propaga de ‘maneira explosiva’ nas Américas. A situação é tão grave, que um comitê de emergência foi convocado para se reunir no dia 1º de fevereiro para decidir se a epidemia constitui “uma urgência de saúde pública de nível internacional”.

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Menos um aedes no mundo

Enquanto a situação não melhora, eu vivo com um repelente na mão e uma raquete elétrica na outra. Se eu estivesse grávida, talvez não teria coragem de sair de casa. Apesar de não morar mais em uma das três regionais de BH com o maior número de casos de dengue confirmados em 2015 (Norte, Noroeste e Barreiro), minha preocupação não diminuiu. O mosquito transmissor do Zika – que está relacionado à microcefalia -, da Dengue e da Febre Chikungunya está em todos os lugares e, pelo que ando percebendo, principalmente sob os nossos pés.

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Bueiros são local ideal para proliferação

Na Savassi, região Centro-Sul da capital, eu mato cerca de dez Aedes Aegypti por dia. Sou a serial killer do mosquito, a atleta da raquete frenética. Porém, os focos não vêm de residências, nem de lotes vagos, nem de piscinas abandonadas – locais que poderíamos facilmente combatê-lo com conscientização, higienização e controle. Os malditos brotam do chão, dos bueiros da rua, onde provavelmente, devido ao acúmulo de água e lixo, eles encontraram o local ideal para se proliferar e dominar a cidade. (leia mais aqui)

Aí eu pergunto: se isso acontece na Savassi, que é uma região nobre e cheia de atenção, imagina nas perifeiras da cidade. Além de todas as medidas que estão sendo tomadas, creio que a nebulização dos bueiros e galerias de águas pluviais seja uma medida muito necessária e até mesmo urgente a ser tomada pela prefeitura de BH.  Neste texto aqui, li que a prefeitura de Araçatuba (SP) fazia a aplicação de um veneno para matar larvas e focos do mosquito Aedes Aegypti por apenas 10 segundos, tempo suficiente para proteger o local por 6 meses.

Neste momento, todas as armas devem ser usadas. Confira abaixo, o número de casos de dengue registrados em BH de 2005 a 2016, divulgados pela prefeitura. Observe que em 2012 foram notificados apenas 585 casos, enquanto no ano seguinte foram estrondosos 96.114.

Ano

Nº DE CASOS

Óbitos

2005

662

0

2006

669

0

2007

5.236

2

2008

12.825

3

2009

12.911

0

2010

51.755

15

2011

1.581

0

2012

585

0

2013

96.114

8

2014

3.037

Em 2015, segundo balanço de 30/12/2015, foram confirmados 15.749 casos de dengue na capital, além de 2.334 suspeitos até então. A maior parte do casos se concentraram nos meses de abril e maio, período de maior transmissão no ano.

Agora, com o Zica Vírus e sua ameaça às grávidas, o cuidado e o combate ao vetor deve ser quintuplicado. Cuidem-se.