Experiência de quase-assalto na Serra

Já fui assaltada e furtada em Belo Horizonte (quem nunca, né?). Além disso, o vidro traseiro  do meu carro já foi quebrado incontáveis vezes. Numa dessas, dei adeus à minha querida mochila Wilson. Ela era minha amiga de longas conversas, era para mim o que a bola representava para o náufrago (Tom Hanks) naquele filme. São apenas bens materiais, e que bom que a vida segue sem eles, mas que saudades dela…

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Nesta semana, vivi uma experiência diferente. Era para ser igual, mas eu estava lá como uma mosquinha assistindo ao furto de camarote. Saindo do trabalho, às 20h, peguei o carro no estacionamento. Na ânsia de chegar cedo e levar o dog para passear, esqueci uma mochila com roupas e um tênis no chão do estacionamento (o que deixou o marido bem zangado porque o conteúdo era dele hehehe). Dirigi por menos de 10 minutos e, ao chegar perto de casa, na Serra, resolvi deixar o carro na rua, pois havia algum movimento de moradores. Eu só iria pegar o cachorro e descer, era rapidinho.

Acho que assisto a muitas séries de crimes (meu canal preferido é o Investigação Discovery) por isso, talvez, eu desconfie de tudo. Estacionei o carro em frente ao prédio, fechei os vidros e apaguei os faróis. Fiquei dentro do carro 5 segundos só esperando um rapaz que estava descendo a rua passar por mim, porque, na minha cabeça, ele era um assassino em potencial. Olhando pelo retrovisor, perdi o sujeito de vista.

De repente, fui surpreendida com uma luz no vidro traseiro do carro. O meliante estava com uma lanterna acesa procurando objetos para furtar no banco de trás. Achei um absurdo ele não esperar sequer eu sair do carro. Minha vontade era descer e aplicar-lhe um golpe fatal de Krav Maga. Infelizmente, não domino a técnica. Sem saber se eu buzinava, gritava, abria a porta e chamava pro mano a mano ou se fingia de morta, minha primeira reação foi bater no vidro incessantemente e gritar “JOVEM, EU TÔ AQUI. NÃO TÁ ME VENDO?”.

Aí, ele me viu no banco do motorista… Não sei o que passou pela cabeça dele naquele momento. Era a chance de ele roubar o carro inteiro. O fato é que ele pensou algo, se afastou e fez um sinal tipo de ‘foi mal’. Apagou a lanterna e desceu a rua. Fiquei com ódio, liguei o carro, acendi o farol e desci acelerando para ver se ele ficava com medo e corria, mas nada. Não esboçou nenhuma reação. Quanta frieza.

Eu queria correr atrás do ladrão igual ao guardinha do Atari
Eu queria correr atrás do ladrão igual ao guardinha do Atari

Por fim, coloquei o carro na garagem e foi então que me lembrei da mochila com o tênis do marido que havia esquecido no chão do estacionamento. A vida como ela é: se a mochila não tivesse ficado para trás –> ela estaria no banco traseiro do carro –> e o larápio teria quebrado meu vidro para roubá-la, antes que eu decidisse se buzinava ou batia no vidro. Nada é por acaso.

Moral da história: guarde sempre o carro na garagem.

P.S.: Depois voltei ao estacionamento e lá estavam a mochila e o tênis intactos.

Da série: Crônicas