Obesidade está relacionada a risco de desenvolver câncer

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), para 2016, estima-se que aproximadamente 15 mil dos 596 mil novos casos de câncer estejam relacionados à obesidade e ao sobrepeso

Stockxperts/Divulgação
Stockxperts/Divulgação

A obesidade é um grave problema de saúde pública mundial. A situação não é nada boa para o Brasil, que está entre os países com maior número de obesos. Mais da metade da população adulta brasileira está acima do peso. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões obesos. Já o número de crianças com sobrepeso e obesidade, no mundo, pode chegar a 75 milhões de casos.

Tais dados são ainda mais preocupantes na medida em que estudos avançam e relacionam o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado a fator de risco de câncer. Estudo publicado na revista “The Lancet”, em 2014, considerado o mais abrangente sobre obesidade e câncer, concluiu que pessoas acima do peso têm mais probabilidade de desenvolver 17 tipos da doença, entre eles o de intestino grosso, o de mama na mulher (pós-menopausa), o de endométrio, o de rim, o de vesícula biliar, o de esôfago, o de ovário, o de fígado, o de tireoide e a leucemia.

“Em relação ao câncer de mama, o aumento do risco depende do status menopausal. Após a menopausa, as mulheres obesas têm um risco 1,5 vez maior de desenvolver câncer de mama quando comparadas às mulheres com peso adequado, além de um risco maior de morrer em consequência desse câncer”, explica o oncologista Amândio Soares, diretor do Grupo Oncomed-BH. Segundo o especialista, entre os pacientes com câncer de próstata, existe uma clara relação entre obesidade e agressividade da doença, com aumentos nas taxas de recorrência e de mortalidade. “Esses aumentos são proporcionais ao grau de obesidade”, explica Soares.

Pixabay/Divulgação
Pixabay/Divulgação

A obesidade também tem relação com um subtipo específico de câncer de esôfago, chamado de “adenocarcinoma”. Já o aumento do risco de câncer de intestino grosso em pessoas obesas ocorre mais em homens quando comparados com as mulheres.

Causas e consequências

As principais causas da obesidade são o sedentarismo e o consumo exagerado de alimentos com alto valor calórico e/ou gorduras. “O sobrepeso e a obesidade são causados por uma alimentação pouco saudável”, destaca Soares.

Além de câncer, obesos têm mais chances de sofrer com outras doenças, como diabetes, doenças cardiovasculares, aumento da pressão arterial e acidente vascular cerebral. “É importante lembrar que a obesidade é acompanhada pela redução na expectativa de vida, o que significa que, geralmente, as pessoas obesas vivem menos tempo”, ressalta o diretor do Grupo Oncomed-BH.

Vilões

Alimentos ricos em gordura (carnes vermelhas, frituras e bacon): consumidos regularmente em longo prazo, fornecem o tipo de ambiente que uma célula cancerosa necessita para crescer, se multiplicar e se disseminar.

Picles, salsicha, embutidos e alguns tipos de enlatados:contêm níveis significativos de agentes cancerígenos, como nitritos e nitratos usados para conservar alimentos.

Defumados e churrascos: São impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica conhecida.

Pixabay/Divulgação
Pixabay/Divulgação

Hábitos saudáveis têm de ser estimulados

A frase “você é o que você come” nunca fez tanto sentido. Algumas mudanças nos hábitos alimentares podem ajudar a reduzir os riscos de desenvolver câncer. O Instituo Nacional de Câncer (Inca) recomenda o consumo de frutas, verduras, legumes e cereais integrais, que contêm vitaminas, fibras e outros compostos que auxiliam as defesas naturais do corpo a destruir os carcinógenos antes que eles causem danos às células.

“A melhor recomendação para reduzir a obesidade é estimular, desde a infância, os hábitos saudáveis de alimentação e a prática regular de atividade física. Exercícios são altamente relevantes na promoção do bem-estar físico e emocional, além de favorecer a redução da taxa de obesidade”, destaca o oncologista Amândio Soares.

(Fonte: O Tempo / Renata Abritta)