Quando não se sabe para onde vai, qualquer caminho serve?

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Hoje o dia amanheceu estranho. Não acordamos com o barulho irritante do despertador, mas com o estouro – não menos irritante – de vários foguetes. Olhei para o pé da cama, lá estava o cachorro sentado, observando a queima de fogos e ouvindo a vizinhança canina, que latia com fervor. “Sorte a nossa ele não ter medo”, pensei enquanto levantava.

Olhei o celular, era pouco mais do que 6h da manhã. “Os senadores aprovaram o impeachment”, deduzi. Olhei as redes sociais e vi alguns colegas jornalistas que viraram a noite trabalhando, outros que esbravejavam contra o ‘golpe’ e outros que comemoravam com um ‘tchau querida’. Imaginei a angústia dos que deixaram o governo e, ao mesmo tempo, a alegria dos que vão entrar. Confesso que também me perguntei quem diabos estava acordado com um foguete na mão aquela hora.

Retornei à minha infância, uma época em que eu não entendia nada de política e achava que bastava viver, que aquela coisa não ia me afetar. Olhei a correspondência do meu cartão de crédito sobre a mesa e fiquei desanimada. Eu só queria que a economia melhorasse. Olhei, da janela, a casa do vizinho que foi arrombada esta semana. Os bandidos levaram seus dois carros, por sorte nem ele nem a esposa estavam em casa. “Eu só queria que a violência diminuísse”. Acho que ainda não entendo nada de política.

Não sei se o impeachment é a solução, mas se ele ocorrerá, então que alguém faça alguma coisa efetiva. Suspirei descrente com o governo que cai e com o governo que virá. Lamentei que o povo esteja tão calejado. Dei comida para o cachorro, percebi que o foguetório havia cessado e resolvi voltar a dormir.

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