As melhores cervejas artesanais do festival de Ouro Preto

Nos últimos dias 15 e 16 de abril, a cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, recebeu pela primeira vez um grande festival de cervejas artesanais: o Ourobierfest. O evento, realizado no Centro de Artes e Convenções da UFOP, reuniu cerca de 7 mil pessoas nos dois dias de festa.

Dezenas de rótulos de algumas das principais cervejarias e microcervejarias de Minas estavam presentes no evento, como Verace, Falke Bier, Brüder, Lamas Brew Shop, Krug Bier, Cervejaria Loba, Dunk Bier, Prússia Bier, Aleluia Bier, Mantrap, Furst e Backer.

“O festival foi melhor que o esperado, apesar de termos enfrentado alguns problemas com banheiro, falta de água e alimentação. Fora os contratempos tivemos mais elogios do que reclamações. Tudo transcorreu conforme a programação. Evento com muita gente educada. Tinha crianças de colo e até maiores de 80 anos. Nenhuma briga ou confusão foi registrada”, afirma Júlio Füzessy, um dos organizadores.

Atração

Segundo ele, os turistas representaram 75% do público. “Não faltou diversão, alegria e muita cerveja boa. Aprendemos e entendemos o que devemos corrigir e melhorar no próximo ano. Faremos o evento na área do estacionamento. Perdemos em charme e o estacionamento, mas ganhamos em conforto e comodidade para o público participante. No seu resumo o Ourobier foi um sucesso. Ano que vem estaremos de novo no Sábado de Aleluia alegrando Minas no final da quaresma católica”, frisa.

No domingo (16) foram escolhidas as quatro melhores cervejas do Ourobier, por um júri composto por técnicos e estudiosos em cerveja, além de formadores de opinião. Confira abaixo os rótulos vencedores:

4º Colocado: Mantrap Red Trap

 

Em quarto lugar, o vencedor foi o rótulo Red Trap, da Cervejaria Mantrap, uma Irish Red Ale com 4,4% de teor alcoólico. A Mantrap Red Trap tem corpo médio-leve e cor cobre avermelhado.

“É uma cerveja que tem origem nas bitters inglesas, porém é menos alcoólica e amarga. Especificamente em relação à Red Trap, ela é hoje produzida com sete tipos de malte (inicialmente eram 5), além de rapadura, que adiciona cor e lhe confere secura, deixando a vontade de dar outro gole logo. Hoje a Red Trap é nossa cerveja mais vendida e apreciada, figurando no Untappd, no Brasil, em segundo lugar no estilo”, afirma Fernando Cherem, proprietário da Mantrap.

Foto: Divulgação
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3º Colocado: Brüder American Red Lager

 

Em terceiro lugar, ficou a American Red Lager da Cervejaria Brüder na categoria Amber Lager. O rótulo foi premiado na Copa Cervezas de America 2016 e no Concurso Brasileiro de Cervejas 2017, realizado em Blumenau. Com 6,6% de teor alcoólico, ela tem coloração âmbar e espuma bege com boa formação. Sua textura é macia e o sabor bem equilibrado entre doce e amargo, o que lhe confere uma boa drinkability!

“É muito relevante receber uma premiação. Os jurados me deram um feedback muito bacana impressionados com o perfil da cerveja. Para nós, é um privilégio ter esse reconhecimento em um festival recheado de muitas cervejas maravilhosas, de primeira e bem elaboradas, que vão colocar esse festival no roteiro dos caçadores de cerveja do Brasil e do Mundo”, afirma Rafael Patrício, cervejeiro prático da Brüder.

Foto: Divulgação
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2º Colocado: Backer Medieval

 

Em segundo lugar, foi escolhida a Medieval, da Cervejaria Backer. Essa é uma Belgian Blond Ale com 6,7% de teor alcoólico que já recebeu grandes premiações: bronze na Copa Cervezas de America 2015 e no Chile Beer Cup 2013 e menção honrosa no South Beer Cup 2012 realizado em Blumenau. Possui cor dourada e aroma cítrico e condimentado.

Na Idade Média, esse estilo era fabricado pelos monges. Por isso, essa cerveja, que harmoniza muito bem com queijos, frangos e frutos do mar, vem com um lacre de cera na tampa que pode ser quebrado ou aberto com fogo, resgatando o mesmo clima das tabernas antigas. As tampinhas possuem símbolos planetários dos alquimistas medievais.

Divulgação
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1º Colocado – Verace Disturbed

 

Em primeiríssimo lugar foi escolhida a Verace Disturbed, uma Imperial/Double Ipa de respeito, com teor alcoólico de 8.1% e IBU 81. Com um aroma intenso e um equilíbrio perfeito entre o malte e o amargor, essa nova cerveja mereceu a classificação. “Todas as nossas vidas e de nossas famílias estão na Verace. Colocamos tudo o que temos nisso e queremos fazer bem feito e cada vez melhor. Eu estava muito ansiosa, eu só consegui agradecer por esse momento e por esse reconhecimento do nosso trabalho”, declarou a sócia Valéria Borges.

Valéria Borges, da Verace, recebe premiação de Marco Falcone

Cerveja em cena

 

De acordo com os cervejeiros mineiros, o festival em Ouro Preto só tem a acrescentar à divulgação da cultura craft beer. “Ouro Preto é uma cidade muito emblemática, e tinha que abrigar um festival como esse. O Ourobier representa a compreensão das pessoas de que cerveja especial é parte importante da gastronomia. Aqui tempos um novo marco da cultura cervejeira no Brasil!” afirma Marco Falcone, proprietário da Falke Bier.

E para quem veio de fora, o festival também deixou boas lembranças. “O Ourobier teve seu início com chave de ouro. Quando cheguei ao evento no sábado de manhã senti um clima bem diferente dos festivais grandes que estou acostumado a ir. Os ambientes externos, com os estandes a céu aberto ao lado do palco, que toca rock antigo, em um lugar histórico lindo propiciaram uma experiência única”, afirmou Jamal Awadallak, criador do Projeto Beer School.

Segundo ele, que mora no Sul do Brasil, o cenário cervejeiro de BH e região é invejável. “São dezenas de cervejarias fazendo cervejas muito boas. Tive a chance de visitar algumas e provei algumas das melhores cervejas que já tomei: a Verace com sua Doble IPA – tão leve que poderia ser bebida por alguém que nunca tomou uma cerveja supostamente tão forte – e a Hofbräuhaus com suas cervejas alemãs tradicionais, que hoje em dia quase não são encontradas no Brasil. Voltei com a mala cheia de cervejas mineiras”, pontuou.

Ano que vem tem mais! Aguardem.